Campanha celebra o Dia Internacional da Mulher destacando histórias de escuta e apoio mútuo que fortalecem a trajetória feminina dentro e fora da instituição.
“Quando uma mulher vive de verdade, todas as outras também vivem”. A frase está no livro A ciranda das mulheres sábias, da norte-americana Clarissa Pinkola Estés. Para a autora, a força feminina reside na coletividade, como raízes que se entrelaçam sob a terra, sustentando-se mutuamente.
É a partir dessa perspectiva que o Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão) apresenta sua campanha de Dia Internacional da Mulher: “Elas por Elas”. A iniciativa parte da convicção de que nenhuma mulher se constrói sozinha. A proposta valoriza a rede feminina de acolhimento, empatia, apoio e fortalecimento mútuo, reforçando o compromisso institucional com a educação, a diversidade e a inclusão, pilares que fundamentam o reconhecimento da Unileão com o Selo de Responsabilidade Social Feminina, concedido pelo Instituto ELA – Educadoras do Brasil.
A campanha se soma a ações concretas da instituição, integrando educação, responsabilidade social e impacto comunitário, a partir de duas vertentes: a superação — como uma mulher foi salva por outra mulher — e a ação prática — como uma mulher ajuda outra mulher.
Confira abaixo na matéria especial.
Superação que nasce do coletivo
Para a professora do curso de Direito, Francilda Alcantara Mendes, a força feminina é construída no encontro. “Nenhuma de nós cresce sozinha”, afirma.

Ao refletir sobre sua trajetória, ela destaca as mulheres que a influenciaram profundamente: a mãe, professoras como Suely Chacon, Zuleide Queiroz e Verônica Nascimento, amigas como Danyelle Clemente, Liana Bastos, Evelin Saraiva, Polliana Luna, Tamyris Madeira e Joseane Queiroz, além de referências intelectuais como Angela Davis, Clarice Lispector e Teresa de Ávila. Segundo a docente, nem sempre foi uma frase específica que marcou, mas o exemplo cotidiano de coragem e dignidade.
“Muitas vezes, não foi uma frase específica que ouvi delas, mas a maneira como enfrentavam as dificuldades, como sustentavam seus lugares, como acreditavam em seus sonhos que me inspiraram e influenciaram. Também houve as amigas que me ampararam nos momentos de instabilidade e ofereceram apoio ou conselhos que muito me ajudaram”, relata.
“Sou profundamente contagiada pela coragem de outras mulheres que ocuparam espaços com dignidade e firmeza”
A docente também escolhe humanizar sua própria trajetória. Compartilha com suas alunas os desafios de conciliar estudos, trabalho, maternidade e responsabilidades assumidas muito cedo, além do diagnóstico de TDAH e das limitações enfrentadas por não ter tido oportunidades de pesquisa na graduação ou por não ter vindo de uma família abastada.
“Eu não valido minhas alunas a partir de um pedestal. Eu compartilho com elas minhas próprias dificuldades. […] Quando eu exponho minhas vulnerabilidades, não o faço para fragilizar a autoridade docente, mas para humanizá-la. Eu caminho com minhas alunas. E, nesse caminhar coletivo, acredito firmemente que todas nós nos tornamos mais fortes”, considera.
À frente de um grupo de pesquisa formado por mulheres no Direito, Francilda incentiva a produção científica como instrumento de emancipação e celebra conquistas de alunas como Vitória Sabrina e Maria Novais. Para ela, a legitimidade se constrói coletivamente.
A rede de apoio, no entanto, vai além do ambiente acadêmico. A professora reconhece o papel essencial do esposo no equilíbrio entre vida profissional e afetiva, e destaca a importância das mulheres que cuidam de seus filhos e de sua mãe, que enfrenta um quadro grave de Alzheimer.
“Enquanto eu trabalho, elas sustentam o que é mais precioso para mim. […] Aprendo com elas que a força feminina nem sempre está nos palcos ou nas publicações, mas também está na constância silenciosa do cuidado e do afeto”, diz.
Ao falar sobre ser “salva” por outra mulher, ela menciona a própria filha: “Ser mãe de uma menina é ser salva todos os dias. […] Quando ela brinca, quando ri de algo simples, quando me chama para participar do seu pequeno mundo, algo em mim se reorganiza”.
A força da escuta e do acolhimento
Se a superação revela como mulheres são transformadas pelo apoio de outras, a ação prática mostra como esse apoio se materializa no cotidiano institucional. Para Nadyelle Diniz Gino, coordenadora do Serviço de Psicologia Aplicada (SPA) da Unileão, o cuidado começa pela escuta.
“Falar de mulheres que escutam mulheres nos traz um sentimento de identificação e um sentimento realmente de compreensão umas com as outras. Mas no SPA é importante ressaltar que o que traz esse sustento e esse sentimento de proteção é exatamente essa escuta qualificada, que fornece um espaço de sigilo, de acolhimento e responsabilidade ética”, explica.
O SPA oferece um ambiente seguro, com acompanhamento de estagiários e orientadores, onde mulheres podem refletir sobre suas experiências e buscar seus próprios recursos para enfrentar desafios. De acordo com Nadyelle, não se trata de eliminar dificuldades, mas de fortalecer a autonomia.
“Não é sobre remover os desafios — os desafios estão no nosso dia a dia — mas também é mostrar que é possível tendo autonomia, e que existem caminhos para lidar”, afirma.
Ela reconhece, ainda, a influência de mulheres em sua própria trajetória — das avós, mãe e tias às colegas de trabalho e à coordenadora do curso de Psicologia, Flaviane Troglio. Gestos simples, como um “bom dia”, um abraço ou uma troca de ideias em reunião, também compõem essa rede de fortalecimento.
“Falar de mulheres que escutam mulheres nos traz um sentimento de identificação e um sentimento realmente de compreensão umas com as outras”
Uma ciranda que atravessa gerações
A metáfora apresentada por Clarissa Pinkola Estés — a de raízes que se unem sob a terra e se nutrem mutuamente — sintetiza o espírito da campanha “Elas por Elas”. Muitas vezes, ser salva significa ser lembrada de quem se é. Significa receber legitimidade, incentivo, escuta e cuidado.
Ao reforçar essa linhagem de mulheres que se protegem e se impulsionam, a Unileão reafirma que seu compromisso vai além de uma data comemorativa. Trata-se de reconhecer e fortalecer uma cultura institucional baseada na educação como instrumento de emancipação, na responsabilidade social e na construção coletiva.
Porque, como ensina a própria ciranda, quando uma mulher avança, muitas outras avançam com ela.
Fotos: reprodução do Instagram