Curso de licenciatura em Educação Física da Unileão é reconhecido pelo MEC em meio às transformações da educação básica.
Da aprendizagem à inclusão, da saúde ao desenvolvimento social, a qualidade da formação de professores influencia diretamente o cotidiano escolar. No Cariri, esse debate ganhou novo destaque após o Ministério da Educação (MEC) atribuir conceito máximo ao curso de licenciatura em Educação Física do Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão).
O resultado é referente ao Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade 2025) e foi divulgado na última quarta-feira (20), no sistema e-MEC. Na avaliação, os cursos superiores recebem notas de 1 a 5 com base em critérios ligados ao conteúdo acadêmico, reflexão crítica, temas transversais e conhecimentos técnicos da área, com ênfase na formação para o magistério.
Atualmente, o curso conta com oito professores doutores, 15 mestres e cinco especialistas. A graduação também mantém convênios com a rede estadual, a rede municipal de Juazeiro do Norte e mais de 20 escolas privadas, aproximando os licenciandos da realidade da educação básica durante a formação acadêmica.
Formação conectada às escolas
Entre as iniciativas do curso está o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), vinculado ao MEC, que atualmente reúne 24 bolsistas em atuação em três escolas de tempo integral de Juazeiro do Norte.
Segundo o coordenador do curso, professor José de Caldas, a proposta é aproximar os estudantes das experiências vividas no ambiente escolar, articulando inclusão, reflexão crítica e compromisso social.
“Como diferencial metodológico, o curso também usa as ‘Experivivências’, inspiradas no conceito de ‘escrevivência’ da escritora Conceição Evaristo, para articular inclusão, reflexão crítica e compromisso social a partir da realidade do ‘chão da escola’, explica.
O coordenador avalia ainda que as mudanças recentes na educação básica, especialmente após a retomada das aulas presenciais no período pós-pandemia e a expansão das escolas de tempo integral, ampliaram o papel da Educação Física nas instituições de ensino.
“Os estudantes passam até nove horas do dia na escola. Assim, pensar o corpo se faz necessário. As práticas corporais ligadas ao movimento tornam-se essenciais, e a Educação Física passa a ganhar novos espaços e direcionamentos”, afirma.
De acordo com o professor, o trabalho desenvolvido atualmente pela área vai além do esporte e da prática física tradicional.
“O corpo deve ser compreendido para além do movimento. Precisamos reconhecer aspectos ligados à imagem corporal, hábitos saudáveis, bem-estar, lazer, socialização e inclusão. A Educação Física torna-se um campo importante para saúde, qualidade de vida e integração social”, destaca.
Dos bancos da universidade para a escola pública
Os reflexos da formação docente também aparecem no cotidiano das escolas. Professor efetivo da rede pública de Juazeiro do Norte há três anos, o egresso Raimundo Leandro destaca os estágios supervisionados como uma das experiências mais importantes da graduação para a preparação profissional.
“Entramos na faculdade sem experiência e trato pedagógico. A base desse processo foi construída durante os anos de curso, principalmente por meio das disciplinas pedagógicas e dos estágios supervisionados nas escolas”, relata.
Atuando na educação básica, ele aponta a inclusão entre as demandas mais presentes no ambiente escolar. Segundo o docente, as aulas exigem estratégias capazes de envolver diferentes perfis de estudantes, incluindo alunos neurodivergentes.
Leandro também avalia que a Educação Física pode fortalecer o vínculo dos estudantes com a escola, especialmente por meio de projetos esportivos e atividades no contraturno.
“Mostrar ao aluno o quanto ele é importante para a instituição escolar pode contribuir para sua permanência na escola”, considera.
Outro desafio citado por ele é ampliar a participação das famílias no acompanhamento da vida escolar. Segundo o educador, a própria formação universitária já abordava a importância da atuação conjunta entre escola, comunidade e família.
“Hoje, uma das maiores dificuldades é ampliar o envolvimento das famílias no acompanhamento dos estudantes”, afirma.
Uma nova Educação Física
As transformações observadas nas escolas também são percebidas pelo Conselho Regional de Educação Física (CREF5). Segundo a delegada Sara Maria Teles de Figueiredo, egressa do curso da Unileão, e a presidente da Câmara de Educação Física Escolar, Maria Aldeisa Gadelha, a área passou por mudanças importantes nas últimas décadas.
De acordo com as representantes, a disciplina deixou de focar exclusivamente no esporte e passou a integrar a área de Linguagens, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
“O foco atual está na formação cidadã e na literacia corporal, desenvolvendo o aluno nos aspectos físico-motor, afetivo-social e emocional”, afirmam, em nota conjunta.
As representantes do conselho também destacam que o mercado exige profissionais preparados para atuar não apenas nas dimensões técnicas da área, mas também nos aspectos pedagógicos e sociais do ensino.
Segundo elas, essa necessidade se torna ainda mais relevante fora dos grandes centros urbanos.
“Todas as escolas públicas e privadas, independentemente da localização, precisam aplicar competências ligadas a brincadeiras, esportes, danças, lutas, ginásticas e outras práticas corporais previstas para cada etapa de ensino”, ressaltam.
As representantes acrescentam ainda que o CREF5 tem promovido capacitações para professores da educação básica do interior por meio de projetos itinerantes e ações de formação continuada.
Formação docente e impacto regional
Desde a primeira turma, em 2008, o curso de licenciatura em Educação Física da Unileão já formou 740 professores. Muitos deles atuam hoje em escolas públicas e privadas da região do Cariri.
Em um cenário marcado pela expansão das escolas de tempo integral e pelo aumento das demandas relacionadas à inclusão, saúde e permanência escolar, os especialistas ouvidos pela reportagem concordam que a qualificação docente tende a assumir papel cada vez mais estratégico para a educação básica.
Nesse contexto, segundo José de Caldas, o reconhecimento do MEC, além de representar um indicador acadêmico relevante, reforça a formação de profissionais preparados para os desafios da educação básica e das novas demandas do ambiente escolar.
Aliar a mente e o corpo, proporcionando mais saúde e bem-estar.