Evento reuniu empreendedoras da região e promoveu roda de conversa sobre caminhos para enfrentar a violência contra a mulher no Cariri.
O Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão) sediou, na noite desta quarta-feira, uma edição especial da Feira de Marias, iniciativa voltada ao fortalecimento do empreendedorismo feminino no Cariri. O evento integrou a programação alusiva ao Mês Internacional de Luta das Mulheres e aconteceu no Pátio do Bloco D, no campus Lagoa Seca, reunindo empreendedoras da região que atuam nos segmentos de arte e artesanato.
Além da exposição e comercialização de produtos, a programação contou com uma roda de conversa com o tema “Caminhos para o enfrentamento à violência de gênero no Cariri cearense”. O debate reuniu a professora do curso de Psicologia da Unileão, Moema Alves, a psicóloga e egressa da instituição e idealizadora da Feira de Marias, Oda Ferreira, e a jornalista e pesquisadora Laura Brasil.
Durante a discussão, a professora Moema Alves destacou o papel social da iniciativa ao integrar diferentes públicos e promover troca de experiências. “Iniciativas como essas da feira conseguem trazer vida e saúde às mulheres, porque elas integram a coletividade”, afirmou.
A jornalista e pesquisadora Laura Brasil contextualizou o debate apresentando dados sobre a violência contra a mulher na região. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Ceará, somente em 2026 Juazeiro do Norte já registrou 149 notificações de violência contra mulheres, número que, de acordo com a pesquisadora, pode ser ainda maior devido à subnotificação.
Laura ressaltou que o Brasil possui uma das legislações mais avançadas no enfrentamento à violência doméstica. “A Lei Maria da Penha é uma legislação completa e estratégica, comparável às melhores do mundo. O problema está na prática: entre a denúncia e a prisão do agressor existe uma lacuna perigosa”, explicou. Para a pesquisadora, além da conscientização, é necessário ampliar a mobilização social e política sobre o tema. “Não basta apenas reconhecer o problema. É preciso agir, cobrar e transformar. O debate é importante, mas a ação é urgente”, enfatizou.
A roda de conversa também contou com a participação de estudantes da instituição. A aluna do 5º semestre de Psicologia, Jesefa Cristian dos Santos, destacou a relação do debate com os conteúdos trabalhados no curso. “Eu vejo que não é uma simples roda de conversa, é mais uma aula fora das paredes da sala”, afirmou, ressaltando a conexão da discussão com temas como promoção da saúde, abordagem comunitária e epidemiologia.
Já Bárbara Gois, estudante do 7º semestre de Psicologia, compartilhou a experiência do estágio realizado na Casa da Mulher Cearense, em Juazeiro do Norte, onde acompanhou de perto o trabalho de apoio às vítimas. Segundo ela, a vivência reforçou a importância da integração entre diferentes áreas do conhecimento. “Percebi, de forma prática, a junção entre Direito e Psicologia, uma integração que considero fundamental”, disse.
A estudante também destacou o caráter prático da iniciativa promovida pela Feira de Marias. “Acredito que debater e falar sobre violência contra a mulher é importante, mas não suficiente. Muitas vezes ficamos apenas no discurso, sem ação. O que a Oda fez com essa ideia foi justamente transformar conhecimento em ação”, pontuou.
Reconhecida com o Selo de Responsabilidade Social Feminina, concedido pelo Instituto ELA – Educadoras do Brasil, a Unileão reafirma, por meio de iniciativas como a Feira de Marias, seu compromisso com a educação, a diversidade e a inclusão. A realização do evento integra ações institucionais voltadas à promoção da equidade de gênero e ao fortalecimento de iniciativas com impacto social na região do Cariri.
Confira abaixo alguns registros da feira!