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Dia do Trabalho: o que faz alguém escolher ficar?

Trajetórias de colaboradores com mais de duas décadas na Unileão convidam a refletir sobre pertencimento, reconhecimento e propósito no trabalho.

01/05/2026 08:00 am - Atualizado em 30/04/2026 16:29 pm - COMPARTILHE: - + Imprimir

Às oito da manhã, antes mesmo de chegar à sala onde coordena o Comitê de Sustentabilidade, Ana Isabel Calixto já atravessou corredores que conhece há mais de vinte anos. Cumprimenta funcionários da portaria, encontra professores, resolve pequenas demandas no caminho. Em alguns desses espaços, ela já esteve em funções diferentes: primeiro como aluna de MBA, depois na recepção, mais tarde como professora e, hoje, como gestora.

A rotina mudou muitas vezes desde 2003, quando entrou na Unileão com um plano bem definido: estudar, crescer e conquistar espaço dentro da instituição. O que talvez ela não imaginasse era que, duas décadas depois, sua própria trajetória se confundiria com a da faculdade.

“Meu sobrenome passou a ser Unileão”, costuma dizer.

Crescer onde se começou

Formada em Biologia, Ana Isabel queria seguir carreira acadêmica e via na instituição uma possibilidade concreta de se tornar professora universitária. Enquanto construía esse caminho, assumiu um posto na recepção. Depois da especialização, veio o convite para se tornar docente. Mais tarde, concluiu o mestrado em Desenvolvimento Regional Sustentável e participou da estruturação do núcleo que deu origem ao atual Comitê de Sustentabilidade, que hoje coordena.

Ao longo desse período, acompanhou também mudanças pessoais importantes. Os filhos cresceram — hoje têm 23 e 18 anos — e, para ela, as duas histórias caminharam juntas. A relação com o trabalho deixou de ser apenas profissional e passou a envolver pertencimento e identificação.

“O trabalho precisa ser um lugar de bem-viver. Aqui, existe muito trabalho, mas também amizade, parceria e construção coletiva. Quando a gente trabalha com dedicação, consegue ser visto e consegue crescer”, afirma.

O aprendizado como motivo para continuar

A trajetória de Herminig Everson mostra que esse movimento não está restrito à sala de aula ou aos cargos acadêmicos.

Hoje ele lidera uma equipe de 33 pessoas no Departamento de Tecnologia da Informação (DTI), mas a entrada na instituição aconteceu sem planejamento. Nascido em Santarém, no Pará, e filho de cearenses, mudou-se ainda adolescente para o Cariri, quando os pais decidiram voltar à terra natal.

Em 2005, enquanto cursava Administração, enfrentava dificuldades financeiras para pagar a faculdade. Depois de várias tentativas frustradas de entregar currículos, acabou sendo percebido dentro da própria biblioteca do campus Crajubar. Ao ajudar espontaneamente uma aluna com um problema no computador, chamou a atenção do então coordenador de TI, que o convidou para um estágio.

O estágio virou efetivação. Depois vieram novas responsabilidades com a abertura de novos campi e o crescimento da estrutura institucional. Quando foi contratado, passou a cuidar do campus Saúde. Com a expansão para o campus Lagoa Seca, assumiu a gestão de equipes e desenvolveu a liderança de forma paralela ao crescimento da universidade.

Hoje, com quase duas décadas de trajetória, ele afirma que o que sustenta sua permanência é a possibilidade constante de aprender, embora reconheça que permanecer também significa lidar com desafios e recomeços.

“Quando comecei como estagiário, eu focava em aprendizado. Por mim, eu estagiava até de graça para poder aprender. Eu via aqui que existiam muitas coisas que eu ainda não sabia fazer, mas tinha os recursos necessários para aprender. A gente leva muita pancada, enfrenta dificuldades, mas o maior intuito é focar no aprendizado e nas habilidades que pode construir naquele momento”, reflete.

Foto: arquivo pessoal

Da portaria ao laboratório: uma permanência que atravessa setores

As histórias de Ana Isabel e Everson não são casos isolados. Um levantamento interno mostra que a Unileão possui 206 colaboradores com mais de dez anos de instituição. Desse total, 84 são técnicos-administrativos e 122 são docentes.

Os dados ajudam a mostrar que a longevidade profissional não está concentrada em funções específicas. Ela perpassa diferentes setores: portaria, infraestrutura, compras, financeiro, biblioteca, laboratório, manutenção, recursos humanos, reitoria, tecnologia da informação e coordenações acadêmicas. Há profissionais com 20 anos de casa na portaria e no setor de TI, colaboradores com 15 anos em laboratórios e manutenção, além de professores e coordenadores com longas trajetórias.

O que faz alguém escolher ficar

Para a professora Larissa Vasconcelos, que ministra a disciplina de Psicologia Organizacional na Unileão, a permanência hoje envolve propósito, desenvolvimento e alinhamento de valores.

“As pessoas permanecem onde conseguem responder, ainda que implicitamente, a três perguntas fundamentais: eu estou crescendo aqui? Eu sou valorizado aqui? O que eu faço aqui importa?”, analisa.

Por isso, de acordo com ela, o pertencimento precisa ser construído de forma concreta, não apenas simbólica.

“Pertencimento não se impõe. Ele é construído na experiência cotidiana. Organizações que conseguem cultivá-lo criam ambientes onde as pessoas não apenas ficam, mas escolhem permanecer”, afirma.

Neste sentido, sugere a professora, embora a flexibilidade seja a regra atual, ter pessoas que conhecem a história da instituição é um diferencial competitivo.

“Profissionais que permanecem por longos períodos, como Ana Isabel e Everson, representam algo muito valioso: eles são testemunhas da cultura, guardiões da história institucional e agentes de continuidade em um cenário de constante transformação”, diz.

Ficar como escolha

Vasconcelos considera ainda que, quando uma organização consegue oferecer reconhecimento, propósito e bons vínculos, ela deixa de ser apenas um local de trabalho e passa a ser um espaço de realização pessoal. As pessoas não ficam apenas pelo salário, elas ficam porque se sentem parte daquela história.

Para Ana Isabel, essa percepção também está ligada ao impacto que ela enxerga fora dos muros da instituição. “Hoje, a gente sabe que todos os espaços de comércio, de trabalho, de Juazeiro do Norte, têm um aluno da Leão Sampaio ou um profissional formado pela Unileão, e eu faço parte disso. Então, isso me orgulha bastante”.


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