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Semana do Meio Ambiente: como a Unileão impulsiona a geração própria de energia solar no Cariri

Primeira reportagem da série especial para a Semana do Meio Ambiente aborda o avanço da geração própria de energia solar no Cariri e os impactos da transição energética para o desenvolvimento regional e a sustentabilidade.

01/06/2026 12:12 pm - COMPARTILHE: - + Imprimir

O avanço da energia solar no Brasil já não se concentra apenas em grandes capitais ou polos industriais. No interior do Ceará, municípios da região do Cariri têm ampliado a presença de projetos voltados tanto à geração comercial quanto ao consumo próprio, acompanhando a expansão das fontes renováveis no país.

Cidades como Abaiara, Brejo Santo, Mauriti e Milagres já abrigam grandes usinas responsáveis pela distribuição de energia para o sistema elétrico. Em Juazeiro do Norte, outro movimento ganha espaço: o crescimento de sistemas de geração distribuída voltados ao abastecimento de instituições, empresas e empreendimentos locais.

Entre os exemplos está o sistema fotovoltaico do Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão), que mantém, desde 2016, um projeto de geração própria de energia. Segundo dados do Relatório de Sustentabilidade da instituição, o complexo opera atualmente uma das maiores estruturas de geração solar do Nordeste destinadas exclusivamente ao consumo próprio.

Como o sistema foi ampliado

O primeiro sistema foi instalado no campus Lagoa Seca, com painéis fixos posicionados nos telhados do Bloco E e no estacionamento da Clínica-Escola. Ao longo dos anos, o projeto passou por ampliações e atualizações tecnológicas.

Em 2019, a estrutura incorporou painéis móveis capazes de acompanhar o movimento do sol para ampliar a eficiência da geração. Já em 2024, a expansão incluiu módulos bifaciais, tecnologia que permite captar luz solar em ambos os lados das placas.

Segundo a equipe técnica responsável pelo projeto, os módulos aproveitam tanto a incidência direta da luz quanto a luminosidade refletida pelo solo, aumentando a eficiência da geração.

“O diferencial do projeto é que a energia produzida é destinada integralmente ao consumo da própria instituição”, explica o engenheiro Marcos Vinicius Leite de Araújo, que acompanha a implantação do sistema desde o início.

Como funciona a geração própria

O modelo adotado pela Unileão se enquadra na modalidade de Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), sistema capaz de permitir a residências, escolas, empresas e indústrias a produção parcial ou integral da energia consumida.

Nesse formato, quando a produção supera o consumo imediato, o excedente é direcionado para a rede elétrica da distribuidora e convertido em créditos energéticos, utilizados posteriormente pela unidade consumidora.

O crescimento desse modelo acompanha uma tendência nacional de descentralização da produção elétrica, especialmente em regiões com alta incidência solar, como o Nordeste.

Os números da expansão

Os dados do projeto ajudam a dimensionar a expansão da geração própria ao longo da última década.

Em 2016, o sistema registrava produção anual de cerca de 229 mil kWh. Em 2025, a capacidade chegou a 2,45 milhões de kWh. Segundo o engenheiro Marcos Vinicius, o volume seria suficiente para abastecer aproximadamente 3 mil residências com quatro moradores. Já a projeção para 2026 é alcançar 3 milhões de kWh.

De acordo com o especialista, parte desse crescimento ocorreu após a implantação de uma terceira usina móvel instalada nas proximidades do Hospital Veterinário.

Ao todo, o sistema conta com 3.678 módulos em operação. A estimativa é que a economia operacional relacionada à geração própria alcance R$ 2,6 milhões em 2026.

Atualmente, o parque opera com três estruturas:

• usina fixa instalada nos telhados do campus;

• usina móvel localizada no complexo esportivo;

• nova usina móvel responsável pela ampliação recente da capacidade de geração.

Cariri como polo de transição energética

Para a coordenadora do Comitê de Sustentabilidade, professora Ana Isabel Calixto, a expansão da energia solar no Cariri é o principal pilar da transição energética local. Segundo ela, a alta incidência de radiação solar transforma o semiárido em um polo de desenvolvimento sustentável.

“A alta radiação solar da região traz benefícios imediatos, como independência econômica, atração de megaempreendimentos e geração de energia limpa com zero emissão de gases do efeito estufa”, destaca a professora.

Ela também ressalta que a produção solar tem gerado uma economia que beneficia diretamente a instituição, sem necessidade de repasse dos custos de energia para as mensalidades dos alunos.

“A produção de energia solar, renovável e limpa tem evitado a emissão de mais de 26 toneladas de resíduos por mês, que deixariam de poluir a água, a terra e o ar”, explica. A quantidade de resíduos, associada à geração energética baseada em combustíveis fósseis, tem como base parâmetros de plataformas e organizações ambientais, como SOS Mata Atlântica e WWF Brasil.

Outras soluções sustentáveis

Além da produção solar, a política ambiental da Unileão inclui iniciativas voltadas à eficiência energética. Entre elas está um sistema de climatização que utiliza blocos de gelo produzidos com energia solar durante o dia para resfriamento de ambientes no período noturno, horário em que o custo da eletricidade costuma ser mais elevado. A tecnologia funciona por meio do armazenamento térmico: o frio gerado durante o dia é utilizado posteriormente para reduzir o consumo nos horários de pico.

De acordo com a professora Ana Isabel, contribuir com a redução dos impactos da poluição, enquanto universidade, traz satisfação por ajudar a construir um futuro mais limpo. “Isso nos traz a satisfação em contribuir com um futuro mais limpo e sustentável”, afirma.


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