Última reportagem da série especial para a Semana do Meio Ambiente mostra como 764 kg a mais de papel reciclado em um ano geraram o mesmo benefício ambiental que manter 13 árvores adultas purificando o ar, segundo cálculo de entidades do setor.
Os resíduos descartados diariamente em salas de aula, setores administrativos e espaços de convivência podem parecer pequenos quando vistos de forma isolada. Mas, reunidos ao longo de um ano, ajudam a dimensionar efeitos ambientais concretos.
No Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão), por exemplo, foram recicladas 6,5 toneladas de papel nos três campi ao longo do último ano. É o maior volume registrado desde o início do monitoramento, em 2016. Os dados são do Relatório de Sustentabilidade 2025.
O número representa um crescimento de aproximadamente 13,3% em relação a 2024, quando foram reciclados 5.736 kg de papel. Isso significa que 764 kg a mais deixaram de ir para aterro sanitário em um ano.
Segundo parâmetros utilizados por organizações ambientais, como a SOS Mata Atlântica, evitar esse descarte gera um benefício ao ar equivalente ao que 13 árvores adultas limpam da atmosfera no mesmo período.
Árvores absorvem gás carbônico (CO₂) para crescer e liberam oxigênio, atuando como filtros naturais. Por isso, sua capacidade de absorção é usada como referência para mensurar o impacto de ações como a reciclagem. O cálculo considera a média de 17 árvores para cada tonelada de papel que deixa de ser descartada incorretamente.
Considerando o volume total reciclado em 2025, o efeito ambiental estimado equivale ao trabalho de aproximadamente 110 árvores.
Os dados ajudam a demonstrar como materiais descartados incorretamente continuam produzindo efeitos ambientais mesmo após o consumo.
O relatório contabiliza ainda a reciclagem de 95 kg de plástico, entre garrafas PET e embalagens. Embora seja um volume menor, o material possui alto potencial poluente quando descartado de forma inadequada. A reciclagem desse volume evitou a emissão estimada de aproximadamente 285 kg de gases de efeito estufa.
Na prática, isso significa menos resíduos acumulados no meio ambiente e menos poluição liberada na atmosfera de cidades que já convivem com aumento das temperaturas, crescimento urbano e pressão sobre os serviços de limpeza e descarte, como a região do Crajubar (Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha).
Leia o relatório na íntegra clicando aqui.
Para onde vão os resíduos recicláveis
Parte desses resíduos é destinada à Associação de Catadores e à Ambipar, responsáveis pela triagem e reaproveitamento dos materiais.
Para a professora Ana Isabel, coordenadora do Comitê de Sustentabilidade da Unileão, o crescimento dos números reflete uma mudança gradual na relação da comunidade acadêmica com o descarte de resíduos.
“Enquanto centro universitário, queremos mostrar que, se cada um fizer sua parte, teremos um planeta sustentável.”, afirma. “A educação transforma as pessoas e elas transformam o mundo, parafraseando Paulo Freire , para que sejamos um exemplo em Educação ambiental para o mundo”.