Último mês do ano lança luzes sobre duas campanhas que incentivam comportamentos preventivos e a promoção de hábitos seguros.
O Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão) soma forças na promoção das campanhas Dezembro Vermelho, que alerta sobre o HIV/AIDS; e Dezembro Laranja, que visa à prevenção do câncer de pele. Para reforçá-las junto à comunidade acadêmica e ao público interno que frequenta os três campi da Instituição, esta reportagem conversou com as professoras Ana Karla Cruz de Lima Sales e Soraya Lopes Cardoso, preceptoras de estágio no curso de Enfermagem, além da professora Raíra Justinho, do curso de Biomedicina, que explicam as campanhas, cujo foco é a disseminação de informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento. Confira.
A campanha nacional Dezembro Vermelho representa um marco na luta contra o HIV/AIDS, instituída por meio da Lei nº 13.504/2017. No entanto, a professora Ana Karla reforça a necessidade fundamental de ainda combater o estigma em torno da doença e de promover comportamentos mais seguros, desmistificando o HIV/AIDS e esclarecendo formas eficazes de prevenção. “[A campanha] é uma oportunidade estratégica para ampliar a consciência pública, salvar vidas por meio de informação e apoio, e promover a equidade no acesso à saúde”, afirma.
A professora Raíra compartilha da mesma opinião. Para ela, apesar dos avanços nas informações, mitos como o de que o HIV pode ser transmitido por beijos, abraços ou compartilhamento de talheres ainda são muito difundidos. Por isso, nas aulas, faz questão de esclarecê-los.
“O HIV só é transmitido por fluidos corporais específicos (sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno) e em situações de contato direto, como relações sexuais desprotegidas ou compartilhamento de agulhas. É essencial abordar esses temas de forma aberta e didática para reduzir o estigma e a desinformação que ainda cercam a doença”, considera.
A professora Soraya reforça que através de ações como essa, de educação, prevenção e promoção da saúde, “o Dezembro Vermelho contribui para reduzir o número de novas infecções, melhora a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/AIDS e constrói um futuro mais saudável para todos”.
1) Relações sexuais desprotegidas (onde a transmissão se dá pelo contato com fluidos corporais (sêmen, fluidos vaginais e anais) durante relações sexuais vaginais, anais ou orais sem proteção.
2) Compartilhamento de agulhas e seringas, instrumentos perfurocortantes contaminados com sangue.
3) Transmissão vertical (mãe para bebê) durante a gestação, o parto ou a amamentação, se a mãe for HIV positiva;
4) Exposição ocupacional (profissionais de saúde) acidentes com agulhas ou contato com sangue contaminado.
Vale ressaltar: caso ocorra exposição, iniciar a PEP o mais rápido possível.
5) Transfusão de sangue e transplantes de órgãos, através de sangue ou tecidos contaminados.
Segundo a professora Raíra, nos últimos anos, é possível testemunhar avanços significativos no tratamento e na prevenção do HIV. Um dos principais destaques foi a expansão da terapia antirretroviral de alta potência (TARV), que agora permite que pessoas com HIV tenham uma qualidade de vida semelhante àquelas sem o vírus. Em 2018, a introdução da profilaxia pré-exposição (PrEP) no Brasil marcou um importante progresso. A PrEP complementa a profilaxia pós-exposição (PEP), disponível desde 2004, ampliando as opções de prevenção, especialmente para grupos em situação de maior vulnerabilidade.
Outro avanço relevante, destaca a professora, são os testes rápidos, que têm facilitado o diagnóstico precoce, algo que ela diz sempre enfatizar com os alunos. “A facilidade de execução e a rapidez nos resultados são fundamentais para garantir o sucesso do tratamento e interromper a cadeia de transmissão”, afirma.
Ainda de acordo com a professora Raíra, atualmente, um diagnóstico de HIV não é mais encarado como uma sentença de morte, como acontecia no passado. Com o diagnóstico precoce e a adesão à TARV, os pacientes podem viver plenamente e com saúde, mantendo seu sistema imunológico funcional. Além disso, alcançando a carga viral indetectável, tornam-se incapazes de transmitir o vírus (conceito conhecido como “indetectável = intransmissível”), o que contribui significativamente para reduzir o estigma associado à doença.
A professora Ana Karla também destaca o papel da comunidade acadêmica na disseminação de informações. A promoção de campanhas educativas, palestras, workshops e o desenvolvimento de materiais informativos acessíveis são formas de engajamento no combate à propagação do HIV/AIDS.
“Com o conhecimento e a influência que possuem, os estudantes, professores e funcionários podem promover ações efetivas para combater o preconceito e incentivar práticas mais seguras”, reforça a professora Soraya, sublinhando que a prevenção é a melhor forma de combater o vírus e garantir uma vida saudável.
Para a professora Raíra, campanhas como o Dezembro Vermelho incentivam a busca por testes, a adesão ao tratamento e, principalmente, desmistificam tabus. “Pessoalmente, aproveito este período para reforçar com meus alunos o papel social do biomédico. Além do diagnóstico, somos agentes de conscientização, capazes de transformar a visão da sociedade sobre o HIV/AIDS. Essa troca com os alunos é enriquecedora e fundamental para formar profissionais mais sensíveis e preparados”, ressalta.
No Dezembro Laranja, a campanha de prevenção ao câncer de pele se torna crucial na região do Cariri, onde as altas temperaturas são constantes. As professoras Ana Karla e Soraya alertam para a necessidade de adotar medidas de proteção, como o uso adequado de protetor solar, roupas leves, e evitar a exposição ao sol nos horários de maior intensidade, entre 10h e 16h.
Além disso, aponta fatores de risco para o câncer de pele, como exposição solar excessiva e desprotegida, histórico de queimaduras solares, pele clara e sensível, histórico familiar, e imunossupressão. Ela também lista os sinais e sintomas iniciais, como mudanças em pintas existentes ou o aparecimento de novas lesões, que podem indicar a presença de câncer de pele.
O diagnóstico inicial é clínico, afirma a professora, mas exames específicos podem confirmar a suspeita. “No exame dermatológico completo, o [médico] dermatologista realiza uma avaliação detalhada da pele com um dermatoscópio, instrumento que amplia e ilumina as lesões para melhor análise”, explica a professora Ana Karla. Ela acrescenta que pode ser realizada ainda uma biópsia de pele (exame definitivo) com a retirada de uma amostra de tecido da lesão suspeita para análise microscópica ou uma microscopia confocal (técnica não-invasiva que permite visualizar camadas profundas da pele em tempo real).
A comunidade acadêmica também tem um papel importante na conscientização sobre o câncer de pele. As professoras sugerem a promoção de hábitos saudáveis, entre eles:
Câncer de pele: saiba como prevenir, diagnosticar e tratar — Ministério da Saúde
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