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Estudantes de Psicologia criam recursos lúdicos para ajudar crianças a lidar com desafios do cotidiano

Utilizando situações do cotidiano que podem gerar sofrimento, exposição apresentada na VII Mostra de Ludoterapia estimula a reflexão, a resolução de problemas e a regulação emocional por meio do brincar.

10/06/2026 17:56 pm - COMPARTILHE: - + Imprimir

O que fazer diante de uma fofoca na escola? Como reagir quando uma situação não sai como esperado? E de que forma uma criança pode identificar comportamentos inadequados de adultos ou colegas? Essas são algumas das questões abordadas pelo jogo de tabuleiro “O que fazer?”, desenvolvido pelos estudantes Artur Graça, Lucília Lemos e Joelita Silva, do curso de Psicologia do Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão).

O trabalho integrou a programação da VII Mostra de Ludoterapia, realizada na noite desta terça-feira (9), no pátio do Bloco E, reunindo projetos desenvolvidos pelos alunos da disciplina.

Criado manualmente com o auxílio de aplicativos de ilustração, o jogo apresenta uma minicidade que reproduz ambientes comuns à rotina infantil, como casa, escola, vizinhança e igreja. A proposta é que a criança escolha um desses cenários para, em seguida, ser apresentada a uma situação-problema relacionada àquele contexto.

A partir daí, o mediador utiliza cartas vermelhas com desafios hipotéticos e oferece cartas verdes contendo possíveis soluções. A criança pode escolher uma das alternativas apresentadas ou criar sua própria resposta, utilizando cartas em branco disponíveis no jogo.

Segundo os autores, a dinâmica busca estimular a reflexão sobre diferentes formas de enfrentar situações cotidianas e compreender as consequências de cada escolha.

“Se a criança tentou desse jeito, mas não deu certo, como é que ela lida caso isso não dê certo? Ou então ela tentou desse jeito e deu certo, mas será que ela poderia ter feito melhor?”, explica o estudante Arthur Graça.

De acordo com ele, o material pode ser adaptado conforme as demandas observadas durante o atendimento, permitindo trabalhar questões como resolução de problemas, tomada de decisões e tolerância à frustração.

“A intenção do jogo é servir como base para a construção de alternativas reais da vida, tanto para resolver problemas quanto para identificá-los”, afirma.

Do cotidiano aos temas sensíveis

Entre as cartas desenvolvidas pelo grupo está uma intitulada “Toques Indesejados”, criada para abordar situações relacionadas ao assédio e aos limites do contato físico.

A proposta é oferecer um recurso lúdico que facilite conversas sobre temas que, muitas vezes, não são discutidos de forma aberta com as crianças.

“É uma coisa que muitas vezes acontece, mas passa despercebido pelas crianças porque não é algo muito bem trabalhado nas escolas, não é conversado com os pais. Inclusive, quando acontece, acontece geralmente dentro de casa”, observa Arthur Graça.

Para os estudantes, o jogo funciona como um instrumento que possibilita à criança expressar percepções, dúvidas e experiências de forma mais espontânea.

A comunicação da criança através do brincar

Professor da disciplina de Ludoterapia, Junior Linhares explica que o brincar ocupa um papel central no processo de comunicação infantil.

Segundo ele, quanto menor a criança, maiores tendem a ser as limitações da linguagem verbal para expressar sentimentos, conflitos e experiências vividas.

“A comunicação com a criança parte do brincar. A dimensão lúdica — o brincar, o brinquedo, o jogo e a brincadeira — facilita para que ela possa se comunicar”, explica.

É justamente a partir desse princípio que os estudantes são desafiados, durante a disciplina, a desenvolver recursos voltados ao público infantil.

Mostra reúne quase 80 estudantes

A Ludoterapia é uma disciplina ofertada nas etapas finais do curso de Psicologia e voltada ao trabalho com a infância. Durante o semestre, os alunos recebem uma situação-problema e são convidados a criar um brinquedo ou jogo destinado a crianças de até 12 anos.

A 7ª Mostra de Ludoterapia foi organizada para apresentar esses materiais à comunidade acadêmica. Nesta edição, participaram quase 80 estudantes, distribuídos em 13 equipes nos turnos manhã e noite.

Compromisso com os processos de transformações sociais e promoção da qualidade de vida.


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